Uma lesão nos induz a prestar mais atenção em nossas estruturas?
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Por mais que pareça óbvia essa pergunta (cuidado, nem sempre o senso comum é validado na literatura), como nós podemos interpretar a resposta é que pode fazer toda a diferença em nossa intervenção.
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Recentemente inclui um novo estudo em minha apresentação (desculpe quem fez os cursos anteriores, mas por isso estou compartilhando aqui!) que investigou onde estava o foco atencional em rebatedores de baseball com e sem lesão de LCA. O desenho do estudo não é simples, mas vou tentar sintetiza-lo ao máximo aqui.
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30 rebatedores de baseball foram divididos em 3 grupos: Lesão de LCA (N=10; + de 10 anos de prática, cirurgia de LCA há mais de 18 meses e já liberados para jogar novamente), Sem lesão de LCA (N=10; +10 anos de prática) e novatos (N=10; nunca jogaram baseball antes, tipo eu!). .
Para avaliar o foco atencional, os rebatedores foram solicitados a realizar diferentes tarefas secundárias ao mesmo tempo em que rebatiam a bola em um simulador de realidade virtual. Imediatamente após cada rebatida, eles precisavam responder corretamente (ao som de um sinal), sobre a orientação da “perna”, do “braço” ou da “bola”. .
Para as vezes em que a palavra “perna” aparecia na tela, a tarefa do participante era indicar se a perna de apoio estava mais perto de estar totalmente dobrada ou esticada no momento em que o sinal era apresentado, dizendo "dobrado" ou "esticado". Para as vezes em que a palavra "braço" apareceu, a tarefa do participante era indicar se o braço principal estava mais perto de estar completamente dobrado ou esticado no instante em que o sinal era apresentado, dizendo “dobrado” ou “esticado”. Para as vezes em que “bola” apareceu, a tarefa do participante era julgar se a bola simulada viajou para à direita ou à esquerda da localização de referência, dizendo "esquerda" ou "direita". .
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Recentemente inclui um novo estudo em minha apresentação (desculpe quem fez os cursos anteriores, mas por isso estou compartilhando aqui!) que investigou onde estava o foco atencional em rebatedores de baseball com e sem lesão de LCA. O desenho do estudo não é simples, mas vou tentar sintetiza-lo ao máximo aqui.
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30 rebatedores de baseball foram divididos em 3 grupos: Lesão de LCA (N=10; + de 10 anos de prática, cirurgia de LCA há mais de 18 meses e já liberados para jogar novamente), Sem lesão de LCA (N=10; +10 anos de prática) e novatos (N=10; nunca jogaram baseball antes, tipo eu!). .
Para avaliar o foco atencional, os rebatedores foram solicitados a realizar diferentes tarefas secundárias ao mesmo tempo em que rebatiam a bola em um simulador de realidade virtual. Imediatamente após cada rebatida, eles precisavam responder corretamente (ao som de um sinal), sobre a orientação da “perna”, do “braço” ou da “bola”. .
Para as vezes em que a palavra “perna” aparecia na tela, a tarefa do participante era indicar se a perna de apoio estava mais perto de estar totalmente dobrada ou esticada no momento em que o sinal era apresentado, dizendo "dobrado" ou "esticado". Para as vezes em que a palavra "braço" apareceu, a tarefa do participante era indicar se o braço principal estava mais perto de estar completamente dobrado ou esticado no instante em que o sinal era apresentado, dizendo “dobrado” ou “esticado”. Para as vezes em que “bola” apareceu, a tarefa do participante era julgar se a bola simulada viajou para à direita ou à esquerda da localização de referência, dizendo "esquerda" ou "direita". .
O que foi encontrado?
A tabela da segunda foto demonstra onde estava o foco atencional dos 3 grupos. É considerado que maiores acertos na posição da perna e do braço remetam a um maior foco interno (nas estruturas), enquanto maiores acertos na posição da bola sejam explicados por um maior foco externo (na tarefa).
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Olhando o gráfico podemos perceber que os atletas sem lesão tiveram maior acerto na posição da bola, enquanto se "preocupavam" menos em como os braços e pernas estavam organizados. Indivíduos sem experiência se "preocupavam" mais com a posição dos braços e das pernas, e menos com a bola. Isso é totalmente compreensível para alguém que esteja aprendendo a controlar os graus de liberdade disponíveis para completar uma nova tarefa. Já o grupo dos indivíduos pós cirurgia de LCA, demonstraram maior foco atencional na posição da perna, enquanto o foco atencional na bola ficou mais próximo do grupo de indivíduos novatos. Curiosamente, esse grupo teve um desempenho inferior ao grupo sem lesão. .
Esses resultados sugerem que existe uma transferência do nosso foco atencional para a estrutura lesionada. Precisamos ter em mente que os protocolos de reabilitação e de treinamento vigentes hoje possuem um viés muito forte em aumentar o foco interno, seja com preocupações em excesso em buscar “padrões de movimento e ativação muscular ideais” e a busca incessante pela manutenção do “centramento articular”. .
Sugiro em meus cursos que em algumas fases da aprendizagem de alguma tarefa motora, e para alguns indivíduos, pode ser interessante utilizar exercícios que priorizem o foco interno, mas que não devemos nos limitar a isso. Em contrapartida, utilizar exercícios que tenham como objetivo guiar o indivíduo para a descoberta de novas soluções motoras, usando como o foco a realização de uma tarefa (externo) e não a evitação de um ‘problema’ (interno), pode ser um recurso valioso para ganhos de confiança no movimento e de aprendizado de um novo comportamento motor.
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Olhando o gráfico podemos perceber que os atletas sem lesão tiveram maior acerto na posição da bola, enquanto se "preocupavam" menos em como os braços e pernas estavam organizados. Indivíduos sem experiência se "preocupavam" mais com a posição dos braços e das pernas, e menos com a bola. Isso é totalmente compreensível para alguém que esteja aprendendo a controlar os graus de liberdade disponíveis para completar uma nova tarefa. Já o grupo dos indivíduos pós cirurgia de LCA, demonstraram maior foco atencional na posição da perna, enquanto o foco atencional na bola ficou mais próximo do grupo de indivíduos novatos. Curiosamente, esse grupo teve um desempenho inferior ao grupo sem lesão. .
Esses resultados sugerem que existe uma transferência do nosso foco atencional para a estrutura lesionada. Precisamos ter em mente que os protocolos de reabilitação e de treinamento vigentes hoje possuem um viés muito forte em aumentar o foco interno, seja com preocupações em excesso em buscar “padrões de movimento e ativação muscular ideais” e a busca incessante pela manutenção do “centramento articular”. .
Sugiro em meus cursos que em algumas fases da aprendizagem de alguma tarefa motora, e para alguns indivíduos, pode ser interessante utilizar exercícios que priorizem o foco interno, mas que não devemos nos limitar a isso. Em contrapartida, utilizar exercícios que tenham como objetivo guiar o indivíduo para a descoberta de novas soluções motoras, usando como o foco a realização de uma tarefa (externo) e não a evitação de um ‘problema’ (interno), pode ser um recurso valioso para ganhos de confiança no movimento e de aprendizado de um novo comportamento motor.
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